segunda-feira, 30 de julho de 2012

Salvador Dalí
vem me salvar
daqui
minha alma
corrói
na mundana
monotonia.
Instante eterno instante,
 antes do tempo
A pré-vida
A pós-morte,
sem fim,
como a distância
entro os segundos um e dois
que mesmo infinito
contraditoriamente
acaba
como nós
o mundo
o universo
O pós
e o pós...

Amarras de sobriedade
me forçam
doses amargas de pudor
e me colocam na beira do abismo
da leviana(idade).

Uma coleção de regras
um quebra cabeça
Afloram.
A pequena vila dos desgostos
se reconstrói.

Canso-me dos demais
a vida é uma só
eu vou dormir.


Somos diferentes partes
do mesmo poema
cada qual
com três estrofes.

Acredite
quando digo
que nosso amor
não é de mundanas sorte.

Sua beleza
de rima rica
me faz parecer
um recorte.

e minha ginga
de rima pobre
faz parecer
que não tens porte.

um recorte
sem porte
nossões corações.


queria ter:
a destreza de pessoa,
o ritmo de vinicius,
a profundidade de dickson
e o lirismo de neruda.
Mas só tenho essa janela
e o meu odio do que vejo nela.

Pois vivo na cidade
da fumaça e do ferro,
do medo e do ódio
e os elementos dançam
orquestrados pela família com deus,
As pessoas de bem.

nada!
mata mais que as pessoas de bem
as moças de familia
Os bons filhos
Nada!
destroi mais que a moral
e os bons costumes.

Se morro
dia após dia
é para ser redentor
dos novos pecados
inventados pela direita pacificadora.
o tempo não me consome mais,
só os pecados.

morro
com a mesma ferocidade
que um prédio
desmoronando
no coração de uma tarde carioca.

Na madrugada,
na calada da noite,
enquanto a meia noite
caminha em paz,
algo acontece
na surdina.

o catador de lixo
vasculha meus escombros
o catador de lixo
cata os meus sonhos.
me reconstroi,
marginal!

sábado, 2 de junho de 2012

Desisto de todos
Me entrego ao dúbio.
Sovino,
Chafurdo na lama
na cidade
sou um porco
desta nova realidade.
Já me esqueço das preces
me tornei um dos hereges
com muito orgulho e tesão,
sigo na vida,
descumprindo minha missão.

terça-feira, 15 de maio de 2012

 Morro de amor
antes de morrer de overdose.
Escrevo seu nome
depois de cada dose,
garrafas e
mais cadernos.
As 4h da manhã
conheço a multipla esclerose.
Vou ficando em paz
e amortecido
de teco em teco                                                                                                                                             de dose em dose.

O que sinto
deus nem um sabe,
nem seus anjos
muito menos
o outro lado da moeda divina.

Desconcertados
olham os sorrisos
sabendo o que são
mas não o que representam.

Confusos
se assustam
com os que choram de rir,
estapafúrdios
em suas nuvens.

O preço da divindade
é a esterilização
dos sentimentos
a austeridade plena
Só sorri quem morre.

O medo da morte.
A felicidade da vida.
Um abraço de amor.
A lagrima da partida.

Nem só existir,
Nem só assistir
Mas ser amante desta vida por fim.

E o passado me vem como um sonho
O futuro
se apresenta igual.
Me pergunto sobre o presente
E tudo que me respondem é:
-que tal?
Nada mais agrega o ser.
O amor ja não o faz,
nem afelicidade,
nem a tristeza,
 e nem mais o odio.
Só a falta,
A falta completa de tudo nos une.
Sós quase juntos,
Pois nos esbarramos,
Andamos,
Só assim,
Sem sentir nada,
Amortecidos por completo
Conseguimos acordar
E dizer como quem conta uma piada
Sou feliz.
Trabalhar até morrer
Ou escrever até enlouquecer?
Louco ou triste?
Eis o meu plano divino.
Ando pelos escuros quartos da meia noite
Lhes perguntando o que o tempo falou.
Mas o tempo não os falou nada
Só os esculpiu.
-O que fazes da vida meu filho?
-Poesia.
-Como a poesia te faz ganhar na vida?
-Me fazendo perder!
Eu  conquistei  o mundo
Pra te fazer feliz.
Aindei no meio da paulista
E em obediência os carros pararam
E buzinaram em minha homenagem,
Ordenei a todos que fossem pra casa
Pois ja estavam livres
Porque eu te amava,
Todos agradecidos buzinaram
E continuaram buzinando por um bom tempo.
Tirei a roupa pra fazer amor com você na frente de todos
E com vergonha de nossa grandeza fecharam os olhos,
No momento te pedi em casamento
E antes que você responde-se
Os contrarevolucionarios vieram e me amarraram.
Mas não tem problema
Vou transformar este quarto branco
Em um campo,
Essa prisão em amor
E essa camisa de força em seu abraço.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Olfato
ou fatos
matem os patos
do lago da memória.
Excessos de ser
do ser
de você.

Excessos famintos,
devoro-te

Excessos de acessos
de raiva
de choro.

Excessos de amor
que em excesso
é outro.
A boca rota
arrota
a bancarrota:
As poesias faliram!

Desses olhares
quero beijos,
destes beijos
mais olhares.

Do olhar
lhe entrego a palavra
você me devolve um riso,
sinto o medo e a tudo arrisco.

feliz me vejo preso
pelo seu todo
deveras um louco.

Em tempo passo pro corpo
te arranco sorrisos
que logo vão morrendo em suspiros.

domingo, 11 de março de 2012

Não há maior perversão que um homem com poder
Não precisamos ir longe.
Enquanto cagamos,
 matamos formigas
Por nosso bel prazer.
Há algo mais perturbador nesta madrugada
Se não minha mente?
Há algo mais pra se saborear além
Desta loucura?
Tento escrever em vão
a momentanea surdez do milesegundo,
me manter no presente
por mais que me esforçe
ele não existe.
Tudo o que penso
pertence ao passado
o que imagino ao futuro,
apatrida da realidade
sigo nesse desfluxo.
Há um certo silencio desesperador as 3h da manhã,
O silencia que desatina as dores
que doem antes de dormir,
os estalidos de lugar nem um.

Há um desespero no ar,
Como quem espera uma má noticia que nunca chega
 e
 O som de um grito que nunca saiu.

Os corpos que cambaleiam mas nunca caem
Sofrem as esperanças do mundo
Pois os mesmos
Não as tem.
baratas...

desbaratados
Correm para as sarjetas esperando que o dia raie
Mas são 3h da manhã
E para baratas como nós
Nunca irá raiar.
E há vidas dentro desta vida?
Há mundos dentro deste mundo?
O unico que vejo
É o que me desola
E aflige,
A realidade morta dessas caras
Quase esfinges
Sempre aflitas.

Há pelo o que se chorar no mundo?
Além de nós mesmos?
Que não fazemos nada,
Que não mudamos nada.
Se há no mundo algo que devemos mudar
Somo nós.

O que nos faz chorar,
O que nos faz amar
Ou o que faz de nós
O que somos,
Nossos medos.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Desiludido ando
Por ruas e avenidas
Mais desiludidas que eu,
Passo por um exército de oprimidos
E um batalhão de solitários.

No meio dia quente,
Da avenida paulista,
O mal cresce.

E a mais alta casta
De sorrisos de ouro
Almoçava,
Observando:
-Porque destruir vidas
Meus amigos
É um esporte de cavalheiros!

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Desgostos solitários
no coletivo da tarde
pôr-do-sol
tão único
rosalaranja
abafa e agrava
os odores coletivos.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

A realidade
é uma mentira
contada pelos olhos
ratificada,
em duas vias,
pelos ouvidos
e carimbada pela boca.

Minha loucura é um livro de feltro

Meus psicólogos
têm versos.

Meus psicanalistas
têm estrofes.

Meus Psiquiatras
têm poemas.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Não se sinta bem com esse por do sol estonteante
se sinta bem com os novos óculos de sol Ray Ban!

Não se sinta bem com o beijo do outro
se sinta bem com o novo batom da Avon!

Não se sinta bem ao andar com a brisa do final de tarde
se sinta bem com o novo volkswagen!

venha conosco
venha com tudo que é novo,
só assim,
o mundo será maravilhoso!
me aproveito
dos abraços alheios
de amores sorrateiros

respiro
suspiros defuntos

amores com validade
quando findos
nada resta.
não fique triste.
compre
coma muito
beba muito

não fique triste!
Rivotril
prozac
lexotan
fluoxetina
se drogue
mas não se atreva a ficar triste!!!

pois se você ficar triste
vai começar a pensar
e ficará mais triste ainda...
não pense!
seja FELIZ!
quarto de dormir
de estar
de jantar
de silenciar

quarto do silêncio,
obra rara da humanidade.
escutar a ausência do som
fazer parte do silêncio
desaparecer.
Me esqueci
o que é amar de verdade
o que é dar um sorriso cheio de felicidade
o que é beijar e sentir saudade.

esqueci por minha vontade
esqueci
pois me falaram que tenho que viver
não como quero
mas sim como deve ser.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

No rateio
(pó de cinco, pó de cinco!)
Sem freio
(fuuuuuuungadaaaaaaa)
A polícia no meio
(sirenes)
O nome do menor era mais feio
( faaaaala mais feio!)
mas que rataria
eu não creio
Hackeando
A sociedade que vive no arreio
Seu nome era mais feio.
Um dia abre a porta
(pow)
os cana
a farda torta
(pow)
não tinha diretor gritando
cortaa!
(pow)
é mais um que passa pela cota
pra ir pro céu
(pow pow pow)
O vento sopra
o samambaia gira.

O vento sopra
o samambaia volta.

O vento sopra
o samambaia roda.

Trava língua poético

Os versos
certos
dissertos
certo
de certo
aperto
pra perto
aquela menina.
poético,
pontos
e virgulas
nada é mais poético
que uma folha em branco.
inventar palavras
sufixos
prefixos
o olhar agramatico
Olha o alho!

óleo frito
alho frito
óleo frito
alho frito
óleo frito
alho frito
óleo frito
alho frito

tudo frito
fritas?