terça-feira, 15 de maio de 2012

 Morro de amor
antes de morrer de overdose.
Escrevo seu nome
depois de cada dose,
garrafas e
mais cadernos.
As 4h da manhã
conheço a multipla esclerose.
Vou ficando em paz
e amortecido
de teco em teco                                                                                                                                             de dose em dose.

O que sinto
deus nem um sabe,
nem seus anjos
muito menos
o outro lado da moeda divina.

Desconcertados
olham os sorrisos
sabendo o que são
mas não o que representam.

Confusos
se assustam
com os que choram de rir,
estapafúrdios
em suas nuvens.

O preço da divindade
é a esterilização
dos sentimentos
a austeridade plena
Só sorri quem morre.

O medo da morte.
A felicidade da vida.
Um abraço de amor.
A lagrima da partida.

Nem só existir,
Nem só assistir
Mas ser amante desta vida por fim.

E o passado me vem como um sonho
O futuro
se apresenta igual.
Me pergunto sobre o presente
E tudo que me respondem é:
-que tal?
Nada mais agrega o ser.
O amor ja não o faz,
nem afelicidade,
nem a tristeza,
 e nem mais o odio.
Só a falta,
A falta completa de tudo nos une.
Sós quase juntos,
Pois nos esbarramos,
Andamos,
Só assim,
Sem sentir nada,
Amortecidos por completo
Conseguimos acordar
E dizer como quem conta uma piada
Sou feliz.
Trabalhar até morrer
Ou escrever até enlouquecer?
Louco ou triste?
Eis o meu plano divino.
Ando pelos escuros quartos da meia noite
Lhes perguntando o que o tempo falou.
Mas o tempo não os falou nada
Só os esculpiu.
-O que fazes da vida meu filho?
-Poesia.
-Como a poesia te faz ganhar na vida?
-Me fazendo perder!
Eu  conquistei  o mundo
Pra te fazer feliz.
Aindei no meio da paulista
E em obediência os carros pararam
E buzinaram em minha homenagem,
Ordenei a todos que fossem pra casa
Pois ja estavam livres
Porque eu te amava,
Todos agradecidos buzinaram
E continuaram buzinando por um bom tempo.
Tirei a roupa pra fazer amor com você na frente de todos
E com vergonha de nossa grandeza fecharam os olhos,
No momento te pedi em casamento
E antes que você responde-se
Os contrarevolucionarios vieram e me amarraram.
Mas não tem problema
Vou transformar este quarto branco
Em um campo,
Essa prisão em amor
E essa camisa de força em seu abraço.